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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Biotipo Colérico/Hepático - Biotipologia Comportamental

Biotipo Colérico/ Hepático:




No outono as folhas caem, os últimos frutos são colhidos, o feno e as sementes vão para o celeiro garantir as refeições do inverno, muitas ficarão na terra esperando a primavera para brotar novamente. Nessa fase, a energia vital é descendente e pesada, o ciclo que mostrou crescimento na primavera e exuberância no verão revela agora maturidade e se encaminha para o fim, é o momento do crepúsculo, quando o sol se põe e a vida diurna se recolhe.

O indivíduo hepático tem baixa energia de terra (baço pâncreas/ estômago enfraquecidos) e madeira em excesso, o que leva a uma fraca sustentação da coluna e das pernas. A baixa energia do baço/ pâncreas compromete a tolerância aos medicamentos, bem como os alimentos gordurosos, proteína de origem animal, álcool, fumo e outras drogas. A alta energia de fígado e da vesícula biliar libera o Yang do estômago, havendo o aparecimento de dispepsia (problemas digestivos), gastrites e esofagites de refluxo.

A alta energia de madeira do fígado gera a energia de fogo do coração e intestino delgado, sendo que a alta energia de fogo leva a ansiedade, contratura tensional, palpitações súbitas, arritmias e sustos, ainda a alta energia do fígado leva o indivíduo a se irritar facilmente, dando a impressão de uma pessoa nervosa, o que a torna insatisfeita consigo mesma. Os sintomas são: vista cansada, ressecamento e sensação de retração nos olhos.

Com a falta de energia no pulmão, há bloqueios inspiratórios que levam à sensação de sufocamento e angústia respiratória, pode ocorrer congestão brônquica da laringe, amídalas, cavidades nasais etc... chegando até a inflamação.

Neste biotipo são comuns os sintomas próprios da gripe e bronquite crônica.

O excesso de intestino delgado predispõe a irritação anal, fissuras, hemorroidas, fístulas, evacuações frequentes (2/ 3 vezes ao dia) quando em estafa ou tensão psíquica. O excesso de madeira no fígado cria uma pessoa arrogante, corajosa, de personalidade carismática e excêntrica, com pensamento criativo, espírito nobre e idealista. São pessoas progressistas, líderes revolucionários, pioneiros, não muito bem compreendidos pela sociedade convencional. Quando não conseguem atingir os seus propósitos, ficam momentaneamente revoltados e furiosos com os outros e consigo mesmo.

Aquele que tem uma ênfase no elemento madeira, possui uma mente demasiadamente ativa. Se houver pouca terra e pouco fogo para motivá-la e para por suas ideias em prática, poderá ter todos os tipos de curiosidade, sem chegar a resultados ou sem se envolver profundamente em nada. O hepático costuma demonstrar habilidade em coordenar atividades de diversos tipos de pessoas. Seu sistema nervoso é altamente ativado e extremamente sensível e um período de repouso ou meditação é necessário para que o sistema nervoso recarregue e impeça que a mente se arraste a um estado de exaustão psíquica.

Os indivíduos com excesso de energia madeira tendem a ser direcionados para o exterior. A redução da energia de terra pode corresponder em suas características ao tipo de caráter Fálico-Narcisista da psicanálise, o que indica que essas pessoas têm a tendência a assumir comportamentos por vezes arrojados e audaciosos, se bem que imprudentes ou arriscados. Apesar de aparentarem segurança e confiança em si mesmos, tal traço é de natureza reativa.

O indivíduo portador desse caráter apresentará, por conta de sua fixação fálica, uma valorização acentuada do pênis e uma imprecisa delimitação deste com relação ao corpo na sua totalidade. Há a tendência a autorreferência e a desconfiança nas suas relações com as pessoas, além de uma procura bastante significativa do amor e da admiração dos demais. Daí ser bastante comum a conduta impulsiva, propiciadora de autoafirmação e o interesse em obter sucesso e prestígio. Vem daí a extrema dificuldade em aceitar críticas e insucessos. Para eles o aforismo “o fim justifica os meios” parece se ajustar com precisão.

A psiquiatria nos fala de um tipo de neurose delirante crônica conhecido como paranoia. A paranoia faz parte do grupo de delírios crônicos e é uma enfermidade mental onde o delírio se apresenta vigoroso e verossímil. Esses indivíduos têm sua atividade estabelecida a partir de um exuberante raciocínio tendencioso indutivo-dedutivo. Trata-se de uma alteração que ocorre por conta de um juízo desviado, acompanhado, no entanto, de uma lucidez extraordinária. 

Dentre os diferentes caminhos propostos por Freud no sentido de obter a compreensão da etiologia das doenças mentais e da neurose em particular, ele especifica à frustração. A frustração decorrente da limitação exterior impede a descarga de energia pulsional, que por sua vez resultará na elevação da tensão interna do indivíduo. Freud enumera daí duas possibilidades de reações sadias. Em uma delas, a tensão seria redirecionada, procurando uma gratificação direta da libido. Na outra, o indivíduo renuncia à gratificação da pulsão libidinal, procura sublimar a libido que está bloqueada em sua descarga e estabelecem objetivos não neuróticos passíveis de satisfação.

Freud entende que a paranoia é energia erótica, ou melhor, a libido, por conta de uma frustração, é retirada dos objetos sobre os quais está investida e a seguir redirecionada ao Ego. Poderá então surgir a megalomania, a hipocondria e posteriormente a paranoia, ou seja, no pensamento de Freud as formações delirantes são tentativas de recuperação de um equilíbrio energético, mas são vistas comumente representando apenas a instalação de um quadro psicótico.

Uma outra característica frequente observada é a acentuada propensão do hepático em desenvolver quadros neurastênicos. É aí que iremos observar o chamado esgotamento físico de origem nervosa que comumente apresenta uma sintomatologia bastante variada. Podemos encontrar apatia, mau humor, dificuldades de concentração, dores de cabeça de tipo variável, formigamentos, fotofobia, aversão a ruídos, zumbidos nos ouvidos, espasmos gástricos e cólicas, alterações gastrointestinais e hepáticas, aerofagia, hipotensão, lipotimias (desmaio, síncope), poliúrias e opressão torácica.

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