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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Biotipo Fleumático/ Renal - Biotipologia Comportamental

Biotipo Fleumático/ Renal:



A Energia aqui é fluida, latente e inercial. Como a semente que durante o inverno aguarda o momento de brotar, a essência da água reside na não ação, flui por qualquer buraquinho, não tem forma própria, conforma-se àquilo que a contém. Pode solidificar-se e virar gelo, ou desfazer-se em vapor, recondensar e chover gotas que se juntam aos riachos. Conduz o sal da terra para o mar, assim como conduz metal para a madeira. Representa o fim do ciclo da vida, quando o que já foi espera para novamente ser.

Nós também somos água, pois quase oitenta por cento do nosso organismo são líquidos. Os rins controlam o nível de líquidos no nosso corpo, a bexiga armazena e elimina os excessos, já os rins retêm os minerais (os metais) para que o fígado possa aproveitá-los. Através da água nos renovamos constantemente, sangue, linfa, secreções, urina, suor, saliva, leite da mãe, nada funciona sem água, com ela tudo flui, nós também fluímos com ela.

Quando nos sentimos letárgicos, sem vontade e/ou determinação, desanimados, desistindo diante da menor dificuldade, com medo da vida e das pessoas, com frio, rosnando por qualquer coisa, cheios de ansiedade, angústia, sensação de sufoco, como se o fluxo da vida estivesse cercado de obstáculos e as paredes se fechassem ao nosso redor, estamos com desequilíbrio em água.

Tem se observado a relação entre o Biotipo Renal e o Tipo de caráter Uretral da psicanálise. A ambição é um traço de caráter, produto do erotismo uretral. É aceito também que no desenvolvimento uretral da libido a ideia está centrada em torno da capacidade de urinar. A psicanálise entende que o conflito central do erotismo uretral está relacionado com o desejo de buscar prazer erógeno resultante da descarga excretora, bem como a satisfação narcisista obtida por conta do controle exercido no âmbito do esfíncter vesical. A satisfação então ocorre em contraposição a todo o fracasso que a criança corriqueiramente experimentou até lograr o controle desse esfíncter.

Não se sabe exatamente em qual momento inicial se faria a vinculação entre o erotismo uretral e a vergonha, mas pode-se dizer que assim como a ideia de ser comido é o medo oral específico e a ideia de ser despojado de seus conteúdos do corpo é o medo anal específico. A vergonha é a força específica dirigida contra as tensões erótico-uretrais.

Observa-se no Renal uma tendência a fazer os seus relatos com certo exagero, bem como uma propensão a teatralizar as suas vivências, além de uma sensibilidade particularmente exacerbada. Pode ser possuidor de uma variedade de caráter patológico conhecido como histérico, o qual apresenta os seguintes traços básicos constituintes: a sugestionalidade, a mitomania (tendência mórbida à mentira) e as patologias sexuais.

A teatralidade excessiva das suas emoções frequentemente contrasta com as grandes inibições sexuais das quais é portador, daí o "dom-juanismo" e o "messalinismo" que por vezes dissimulam nesses indivíduos a impotência ou a frigidez.

Existe uma semelhança entre o Biotipo Renal e o Tipo Sentimento de Jung. Quando prevalece o excesso de água, a pessoa é do Tipo Sentimental Introvertido. O Biotipo Renal pode então ter quadro mental estrutural na seguinte forma: Sentimento – Intuição – Percepção – Pensamento.

Sendo considerado um homem velho em um corpo de homem ou mulher, apresenta as seguintes características comportamentais: enérgico, determinado, forte nas atitudes sociais, frágil afetivamente, macho por natureza e quando desafiado nos seus conceitos, ignora.

Biotipo Sanguíneo/Cardiáco - Biotipologia Comportamental

Biotipo Sanguíneo/ Cardíaco:




Fogo, verão. A energia vital é exuberante como o sol do meio dia em pleno verão, irradiando o seu calor em todas as direções. A semente que germinou com a primavera já produz flores e frutos. O todo se reflete na parte.

Também temos um sol em nós, representado pelo coração, que irradia calor humano através dos sentimentos de alegria.

Qualquer problema envolvendo a troca de calor humano revela desequilíbrios em fogo. O cardíaco tem excesso de fogo no coração, o que se reflete em euforia, hiperexcitação, riso à toa, desejos fortíssimos que podem atropelar os outros, às vezes agindo até com descaso pelos sentimentos alheios e pelos próprios; tudo isso revela desequilíbrio em fogo.

A fortaleza de fogo está na capacidade do coração em governar os sentimentos, o excesso ou a deficiência de fogo vão fazer com que a pessoa negue o que sente, ou que tenha medo de demonstrar, ou ainda que se mostre excitada demais com seus sentimentos. Isso geralmente se reflete no comportamento sexual, onde qualquer desequilíbrio pode ser deslocado para a comida. Uma pessoa em fogo, se estiver frustrada, bufa, grunhe, rosna, resmunga, cria bolsas sob os olhos, mostra sintomas de desarmonia em água, desenvolve cálculos renais, depressões respiratórias e problemas de pele, perde o seu dom natural de comunicação e se isola para sobreviver.

O elemento fogo exemplifica a decisão, a grande fé em si mesmo, o entusiasmo, uma força sem limite e uma honestidade direta, às vezes até demais. Necessita de muita liberdade e garante espaços para si mesmo por meio da insistência em seus pontos de vista; a pessoa com esta ênfase pode se consumir no fogo de sua atividade.

A baixa energia de Rins implica em hipofunção renal, órgãos geniturinários não muito desenvolvidos e sistema reprodutor não menos funcional, brilho nos olhos, pele seca e clara. A energia da água alimenta os ossos, uma baixa energia de água acarreta esqueleto fraco, predispõe à osteoporose, artrose e atrofias, governa ainda o sistema nervoso, predispondo a nevralgias e neuropatias em geral, sem contar que o desequilíbrio dos rins leva a um desequilíbrio emocional, gerando ansiedade, tensão e inquietude.

O excesso de fogo no coração e a falta de água nos rins resultam em palpitação, dor precordial, taquicardia, arritmias cardíacas e espasmo coronariano. O Estômago em estado congestivo (excesso de Yang) predispõe a gastrite, úlceras pépticas, esofagites e refluxo por hérnia de hiato.

O excesso de fogo subindo leva a um aumento do volume de sangue na face, brilho nos olhos, enxaqueca, zumbido nos ouvidos, cefaleia tensional, rigidez na nuca e no pescoço devido à congestão energética dos meridianos do intestino delgado e do estômago, causando desequilíbrios entre os rins e baço/ pâncreas, podendo causar diabetes mellitus, com maior incidência de diabetes juvenil. O excesso de fogo subindo lesa a energia metal do pulmão, causando tosse seca (noturna), asma brônquica e bronquite crônica.

O Biotipo Cardíaco tem sido associado à variedade Oral de caráter da classificação psicanalítica. No caráter oral, como o próprio nome indica, a fixação da libido ocorre na etapa Oral do desenvolvimento Psicossexual. Uma gratificação oral acentuada poderá resultar em um indivíduo onde o otimismo e o senso de segurança serão característicos e por vezes excessivos. A insatisfação oral infantil exacerbada, por sua vez, poderá produzir traços depressivos ou sádicos. É relativamente frequente estes indivíduos reagirem às frustrações de forma violenta, utilizando-se, inclusive, da força para conseguir a gratificação das suas vontades, às vezes tende a comportar-se como uma "mãe nutridora", daí que tanto o altruísmo exagerado como a mesquinhez podem estar relacionados a conflitos relativos à oralidade. 

Independência e autossuficiência são prevalentes, frequentemente encobrindo uma necessidade de passividade e dependência. A inquietação ou o desassossego, bem como a ansiedade, a pressa, a impaciência obstinada e o desejo de satisfação imediata frequentemente o leva a abandonar o que iniciou; apesar de ser eventualmente capaz de grandes expressões de força de vontade. Aqui deve estar localizada a origem do apetite exagerado por comida, predominância de traços orais de caráter tem sido assinalada na maioria dos indivíduos toxicômanos em geral, seja o vício, a bebida, o ópio, o cigarro, a comida, etc.

Biotipo Colérico/Hepático - Biotipologia Comportamental

Biotipo Colérico/ Hepático:




No outono as folhas caem, os últimos frutos são colhidos, o feno e as sementes vão para o celeiro garantir as refeições do inverno, muitas ficarão na terra esperando a primavera para brotar novamente. Nessa fase, a energia vital é descendente e pesada, o ciclo que mostrou crescimento na primavera e exuberância no verão revela agora maturidade e se encaminha para o fim, é o momento do crepúsculo, quando o sol se põe e a vida diurna se recolhe.

O indivíduo hepático tem baixa energia de terra (baço pâncreas/ estômago enfraquecidos) e madeira em excesso, o que leva a uma fraca sustentação da coluna e das pernas. A baixa energia do baço/ pâncreas compromete a tolerância aos medicamentos, bem como os alimentos gordurosos, proteína de origem animal, álcool, fumo e outras drogas. A alta energia de fígado e da vesícula biliar libera o Yang do estômago, havendo o aparecimento de dispepsia (problemas digestivos), gastrites e esofagites de refluxo.

A alta energia de madeira do fígado gera a energia de fogo do coração e intestino delgado, sendo que a alta energia de fogo leva a ansiedade, contratura tensional, palpitações súbitas, arritmias e sustos, ainda a alta energia do fígado leva o indivíduo a se irritar facilmente, dando a impressão de uma pessoa nervosa, o que a torna insatisfeita consigo mesma. Os sintomas são: vista cansada, ressecamento e sensação de retração nos olhos.

Com a falta de energia no pulmão, há bloqueios inspiratórios que levam à sensação de sufocamento e angústia respiratória, pode ocorrer congestão brônquica da laringe, amídalas, cavidades nasais etc... chegando até a inflamação.

Neste biotipo são comuns os sintomas próprios da gripe e bronquite crônica.

O excesso de intestino delgado predispõe a irritação anal, fissuras, hemorroidas, fístulas, evacuações frequentes (2/ 3 vezes ao dia) quando em estafa ou tensão psíquica. O excesso de madeira no fígado cria uma pessoa arrogante, corajosa, de personalidade carismática e excêntrica, com pensamento criativo, espírito nobre e idealista. São pessoas progressistas, líderes revolucionários, pioneiros, não muito bem compreendidos pela sociedade convencional. Quando não conseguem atingir os seus propósitos, ficam momentaneamente revoltados e furiosos com os outros e consigo mesmo.

Aquele que tem uma ênfase no elemento madeira, possui uma mente demasiadamente ativa. Se houver pouca terra e pouco fogo para motivá-la e para por suas ideias em prática, poderá ter todos os tipos de curiosidade, sem chegar a resultados ou sem se envolver profundamente em nada. O hepático costuma demonstrar habilidade em coordenar atividades de diversos tipos de pessoas. Seu sistema nervoso é altamente ativado e extremamente sensível e um período de repouso ou meditação é necessário para que o sistema nervoso recarregue e impeça que a mente se arraste a um estado de exaustão psíquica.

Os indivíduos com excesso de energia madeira tendem a ser direcionados para o exterior. A redução da energia de terra pode corresponder em suas características ao tipo de caráter Fálico-Narcisista da psicanálise, o que indica que essas pessoas têm a tendência a assumir comportamentos por vezes arrojados e audaciosos, se bem que imprudentes ou arriscados. Apesar de aparentarem segurança e confiança em si mesmos, tal traço é de natureza reativa.

O indivíduo portador desse caráter apresentará, por conta de sua fixação fálica, uma valorização acentuada do pênis e uma imprecisa delimitação deste com relação ao corpo na sua totalidade. Há a tendência a autorreferência e a desconfiança nas suas relações com as pessoas, além de uma procura bastante significativa do amor e da admiração dos demais. Daí ser bastante comum a conduta impulsiva, propiciadora de autoafirmação e o interesse em obter sucesso e prestígio. Vem daí a extrema dificuldade em aceitar críticas e insucessos. Para eles o aforismo “o fim justifica os meios” parece se ajustar com precisão.

A psiquiatria nos fala de um tipo de neurose delirante crônica conhecido como paranoia. A paranoia faz parte do grupo de delírios crônicos e é uma enfermidade mental onde o delírio se apresenta vigoroso e verossímil. Esses indivíduos têm sua atividade estabelecida a partir de um exuberante raciocínio tendencioso indutivo-dedutivo. Trata-se de uma alteração que ocorre por conta de um juízo desviado, acompanhado, no entanto, de uma lucidez extraordinária. 

Dentre os diferentes caminhos propostos por Freud no sentido de obter a compreensão da etiologia das doenças mentais e da neurose em particular, ele especifica à frustração. A frustração decorrente da limitação exterior impede a descarga de energia pulsional, que por sua vez resultará na elevação da tensão interna do indivíduo. Freud enumera daí duas possibilidades de reações sadias. Em uma delas, a tensão seria redirecionada, procurando uma gratificação direta da libido. Na outra, o indivíduo renuncia à gratificação da pulsão libidinal, procura sublimar a libido que está bloqueada em sua descarga e estabelecem objetivos não neuróticos passíveis de satisfação.

Freud entende que a paranoia é energia erótica, ou melhor, a libido, por conta de uma frustração, é retirada dos objetos sobre os quais está investida e a seguir redirecionada ao Ego. Poderá então surgir a megalomania, a hipocondria e posteriormente a paranoia, ou seja, no pensamento de Freud as formações delirantes são tentativas de recuperação de um equilíbrio energético, mas são vistas comumente representando apenas a instalação de um quadro psicótico.

Uma outra característica frequente observada é a acentuada propensão do hepático em desenvolver quadros neurastênicos. É aí que iremos observar o chamado esgotamento físico de origem nervosa que comumente apresenta uma sintomatologia bastante variada. Podemos encontrar apatia, mau humor, dificuldades de concentração, dores de cabeça de tipo variável, formigamentos, fotofobia, aversão a ruídos, zumbidos nos ouvidos, espasmos gástricos e cólicas, alterações gastrointestinais e hepáticas, aerofagia, hipotensão, lipotimias (desmaio, síncope), poliúrias e opressão torácica.

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